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porUNICEF
fonteUNICEF
a 21 JAN 2015

UNICEF desafia Davos a colocar as crianças no coração da agenda global

Na véspera do Fórum Económico Mundial, a UNICEF traçou uma ambiciosa ‘Agenda para Todas as Crianças’ (‘Agenda for Every Child’) que, a seu ver, deve orientar os objectivos de desenvolvimento sustentável pós-2015.

Quando líderes de todos os sectores se reúnem em Davos, a UNICEF desafia a comunidade global a assumir as crianças como uma prioridade nos novos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, um roteiro para o progresso humano nos próximos 15 anos que irá promover o investimento e a acção à escala mundial. Os objectivos serão acordados aquando da reunião da Assembleia-Geral da ONU em Setembro próximo.

“O mundo realizou progressos significativos nos últimos 15 anos, e no entanto milhões de crianças continuam marginalizadas,” afirmou Yoka Brandt, Directora Executiva Adjunta da UNICEF. “Trata-se de uma oportunidade crucial para alcançar as crianças que foram deixadas para trás. As decisões e os investimentos que fizermos hoje irão determinar o futuro desta geração e o das seguintes.”

A ‘Agenda para Todas as Crianças’ estabelece sete prioridades que a organização considera que devem ser contempladas nos novos objectivos para o desenvolvimento.

  1. Pôr fim à violência contra crianças. Perto de mil milhões de crianças menores de 15 anos sofrem castigos corporais, e um quarto de todas as raparigas com idades entre os 15 e os 19 anos são alvo de violência física. Embora a violência contra crianças seja muitas vezes invisível, o seu impacte em cada criança e nas respectivas sociedades é profundo e extenso. Por a violência contra crianças ser um problema universal, investir na protecção das crianças face à violência, aos maus-tratos, à negligência e à exploração deve ser uma prioridade global.
  2. Pôr fim à pobreza infantil deve estar no cerne da erradicação da pobreza global. Metade dos que sofrem de pobreza extrema no mundo são crianças, sendo que perto de 570 milhões de pessoas menores de 18 anos vivem abaixo do limiar internacional de pobreza, com menos de 1.25 dólares por dia. A pobreza na infância está muitas vezes na origem da pobreza na idade adulta. Sem acesso a serviços de saúde, nutrição, água e saneamento, abrigo e educação, este ciclo de pobreza irá continuar.
  3. Pôr fim à morte evitável de crianças e mães. As crianças nos 20% de agregados familiares mais pobres têm o dobro de probabilidades de morrer antes de completarem os cinco anos que as crianças que pertencem aos 20% de agregados mais ricos, e têm quase três vezes mais probabilidades de vir a ter baixo peso ou adoecer. Melhores sistemas de saúde e uma melhor atribuição de recursos para chegar às crianças e mães mais vulneráveis irão salvar vidas, reforçar famílias, e apoiar o crescimento sustentável.
  4. Prestar mais atenção à adolescência, a segunda década de vida. Os ganhos alcançados na primeira infância podem vir a ser consolidados ou perdidos no decurso da adolescência, mas os adolescentes são muitas vezes deixados de fora do planeamento e dos serviços. O investimento na sua aprendizagem e na promoção de estilos de vida saudáveis, a par de outros esforços, irá ajudar a proteger os adolescentes das doenças e da violência e deixá-los mais preparados para a idade adulta.
  5. Incrementar a crescente revolução dos dados para sustentar os direitos de todas as crianças. Dados oportunos e credíveis são cruciais para identificar as crianças com maiores carências e desenvolver políticas destinadas a melhorar as suas vidas. Os dados devem ser desagregados para nos ajudar a olhar para lá das médias globais e nacionais, e ver as crianças que estão a ser deixadas para trás.
  6. Melhorar os investimentos em todas as crianças, especialmente nas mais vulneráveis e marginalizadas. Devem ser alocados fundos suficientes não só para a educação, água e saneamento, cuidados de saúde e protecção social; para obter os resultados mais sustentáveis, devem também ser dirigidos às crianças e famílias mais carenciadas.
  7. Quebrar o ciclo das crises crónicas que afectam as crianças. Em 2014, 230 milhões de crianças estavam a viver em zonas de conflito, e muitas mais foram afectadas por catástrofes, quer causadas pelo homem quer naturais. A resposta global às crises humanitárias deve centrar-se não apenas nas necessidades urgentes a curto prazo mas também em fomentar a resiliência a longo prazo, ajudando as crianças e suas famílias a enfrentar choques futuros, e pôr fim ao ciclo de crises que elas suportam.

Para que não se percam os ganhos significativos que foram alcançados nos últimos 15 anos, para que as nações emergentes possam prosperar, para que as regiões onde existe turbulência possam tornar-se mais estáveis, o mundo tem de fazer das crianças a sua principal prioridade.

“Não só temos de salvaguardar o mundo para esta geração de crianças – temos de nos certificar de que elas possam crescer para desfrutar dele,” afirmou Brandt. “Todos temos um papel a desempenhar – líderes políticos, empresas e organizações, indivíduos, e as próprias crianças – na promoção da mudança para todas as crianças e na construção de um mundo melhor para todos.”

A UNICEF criou uma hashtag para as redes sociais #EVERYChild, convidando crianças e adultos a juntarem-se para apoiar a Agenda para Todas as Crianças.

 

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