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porUNICEF
fonteUNICEF
a 23 DEZ 2014

Estudo revela que o estatuto nutricional das crianças deslocadas é ‘grave’ em três províncias sírias

Um levantamento do estatuto nutricional das crianças deslocadas menores de cinco anos que vivem em abrigos colectivos e nas comunidades de acolhimento na Síria revelou que existe um nível “grave” na taxa de má nutrição aguda global em três províncias, sendo a situação nutricional no seu conjunto “fraca”.

O Levantamento Nutricional Rápido (The Rapid Nutrition Assessment) fornece uma amostra do estatuto nutricional das crianças deslocadas que vivem em abrigos colectivos e nas comunidades de acolhimento na Síria. Trata-se do primeiro levantamento em grande escala a ser completado desde o início da crise no país, em Março de 2011.

O estudo revela que em três províncias – Hama, Alepo e Deir-ez-Zor – as taxas de Má Nutrição Aguda Global (Global Acute Malnutrition - GAM) entre as crianças da amostra estão acima dos dez por cento: uma situação nutricional considerada “grave” segundo os padrões da OMS. A taxa GAM de conjunto é de 7.2 por cento, ao passo que a taxa de Má Nutrição Aguda Grave (SAM) é de 2.3 por cento – níveis que indicam uma situação nutricional “fraca” com base na classificação da OMS.

O estudo mostra também que perto de quatro quintos (79.8 por cento) das famílias deslocadas afirmaram estar dependentes de uma combinação de ajuda alimentar e alimentos comprados. Cerca de 29 por cento das famílias declararam não ter comida suficiente para todos os membros da família na semana anterior ao levantamento, incluindo falta de acesso em muitos casos a carne, ovos e lacticínios. Dessas famílias, 70 por cento afirmaram ter reduzido o número de refeições.

Estes dados surgem à cabeça do Syrian Humanitarian Needs Overview (Balanço das Carências Humanitárias Sírias), publicado pela OCHA em Novembro, que estima que quatro milhões de crianças e mulheres precisam de medidas preventivas da subnutrição e serviços de tratamento nutricional para crianças com má nutrição aguda na Síria.

“O estudo apresenta uma visão perturbadora do impacte do conflito em curso sobre o estatuto nutricional das crianças deslocadas. Uma nutrição inadequada representa o risco de efeitos a longo prazo no bem-estar das crianças e pode, em casos extremos, levar á morte, se não for detectada a tempo e tratada,” declarou Hanaa Singer, Representante da UNICEF na Síria.

“As crianças estão a receber assistência nutricional nas áreas acessíveis, mas é provável que a situação nutricional se agrave nas crianças que vivem nas áreas mais remotas do país.”

“Avançando, os resultados já estão reflectidos na resposta humanitária ao estatuto nutricional das crianças e estão a permitir uma abordagem mais direccionada para ajudar as crianças mais carenciadas,” referiu Hanaa Singer.

Em 2015, a UNICEF precisa de 21.1 milhões de dólares para ampliar o seu programa nutricional, reforçar a prevenção da subnutrição e promover as boas práticas; fazer junto de mais crianças o rastreio da má nutrição; proporcionar mais apoio nutricional; e multiplicar as acções de formação sobre nutrição.

O Levantamento Nutricional Rápido foi conduzido pelo sector da Nutrição na Síria, em articulação com o Ministério da Saúde e o Departamento Central de Estatística, e conta também com o apoio da UNICEF.

O levantamento foi levado a cabo entre Março e Julho deste ano em 13 das 14 províncias. Os técnicos de recolha de dados visitaram3.361 famílias deslocadas que viviam em abrigos colectivos e nas comunidades de acolhimento. O levantamento junto de perto de 4.500 crianças foi realizado – através de uma combinação de perguntas de inquérito e medições, incluindo altura, peso, e perímetro braquial, para além da verificação da presença de edema nutricional – tendo sido recolhidos dados completos relativos a 3.514 crianças. 

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