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porUNICEF
fonteUNICEF
a 20 NOV 2014

A inovação pode ser catalisador de mudanças para as crianças mais desfavorecidas, refere relatório da UNICEF

No 25º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, o relatório “A Situação Mundial da Infância” traça uma agenda para a mudança.

É necessário agir com urgência para evitar que milhões de crianças sejam privadas das vantagens d a inovação, diz a UNICEF num novo relatório lançado no dia em que se celebra o 25º aniversário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança. A conectividade e a colaboração podem fomentar a criação de novas redes globais para tirar partido da inovação a fim de chegar a todas as crianças, segundo a agência da ONU para as crianças.

O relatório A Situação Mundial da Infância – Re-imaginar o futuro: Inovação para todas as crianças faz apelo aos governos, aos profissionais da área do desenvolvimento, às empresas, aos activistas e comunidades para que trabalhem em conjunto no sentido de fazerem emergir novas ideias para ultrapassar alguns dos problemas mais prementes que as crianças enfrentam – e encontrarem novas formas de transpor para uma escala mais ampla as iniciativas locais inovadoras e mais promissoras.

O relatório é uma compilação de iniciativas de vanguarda provenientes de diversas fontes, que inclui uma plataforma interactiva que mapeia projectos inovadores em vários países do mundo e convida os inovadores a colocarem as suas próprias ideias “no mapa”.

“As desigualdades existem desde os primórdios da humanidade, e o mesmo acontece com a inovação, que foi sempre motor de progresso da humanidade,” afirmou Anthony Lake, Director Executivo da UNICEF. “Num mundo cada vez mais interligado, as soluções locais podem ter um impacto global e beneficiar as crianças em qualquer país do mundo onde continuam a ser diariamente confrontadas com desigualdades e injustiça.”

“Para que todas as crianças possam beneficiar de soluções e projectos inovadores, temos de repensar a maneira como fomentamos e alimentamos novas ideias para resolver problemas antigos ” disse Anthony Lake. “As melhores soluções para os problemas mais difíceis com os quais nos debatemos não surgirão exclusivamente do topo para a base ou da base para o topo, ou de um grupo de países para outro. Elas virão através de novas redes de resolução de problemas e de comunidades de inovação que atravessam fronteiras e sectores muito diversos para chegar àqueles a quem é mais difícil chegar – e virão também dos próprios jovens, dos adolescentes e das crianças.”

A Assembleia-Geral das Nações Unidas adoptou a Convenção sobre os Direitos da Criança em 1989. Desde então, realizaram-se progressos enormes para a concretização dos direitos da criança, nomeadamente com a diminuição acentuada das mortes de menores de cinco anos e o aumento do acesso à educação e a água potável.

Contudo, os direitos de milhões de crianças continuam a ser violados todos os dias - os 20 por cento das crianças mais pobres do mundo têm duas vezes mais probabilidades de morrer antes dos cinco anos do que igual percentagem das crianças mais ricas; perto de uma em cada quatro crianças nos países menos desenvolvidos estão envolvidas em trabalho infantil; e milhões de crianças são regularmente vítimas de discriminação, violência física ou sexual e de abuso e negligência.

A última edição deste relatório de referência da UNICEF defende que medidas inovadoras, como os sais de reidratação oral ou os alimentos terapêuticos prontos a usar, contribuíram para mudanças radicais na vida de milhões de crianças nos últimos 25 anos – e que é crucial dispor de mais produtos, processos e parcerias inovadores para que os direitos das crianças às quais é mais difícil chegar sejam respeitados. O relatório, inteiramente digital, inclui conteúdos multimédia e interactivos que convidam os leitores a partilhar as suas próprias ideias e destaca inovações notáveis que estão já a contribuir para melhorar as condições de vida em vários países do mundo, nomeadamente:

 • Solar Ear, o primeiro carregador de pilhas do mundo para aparelhos auditivos com uma bateria recarregável, desenvolvido para responder às necessidades de comunidades que não têm acesso regular a electricidade. Este pode ser carregado através da luz solar, de luz doméstica ou um de telemóvel. (TendekayiKatsiga, Deaftronics, Botswana/Zimbabwe)
 • Gestão da má-nutrição aguda na comunidade (Community-based management of acute malnutrition [CMAM]), um modelo de cuidados bastante diferente do modelo tradicional, mais dispendioso e de baixa cobertura dos centros de alimentação terapêutica geridos por organizações de ajuda, que permite tratar as pessoas nas suas casas com o apoio de centros de saúde locais através do recurso a alimentos terapêuticos prontos a usar. (Steve Collins, co-fundador e director da VALID Nutrition)
 • Novas formas de envolver os jovens da Libéria no combate ao Ébola através do U-Report, um sistema baseado em telemóveis desenvolvido com jovens que ajuda a analisar os problemas que são mais importantes para eles. (UNICEF, Libéria)
 • Escolas flutuantes que permitem o acesso à educação durante todo o ano a crianças que vivem em zonas expostas a inundações no Bangladesh. (Mohammed Rezwan, Director Executivo Fundador da ONG ShidhulaiSwanirvarSangstha)
 • Vibrasor, um aparelho inventado por duas adolescentes na Colômbia para ajudar pessoas com deficiências auditivas a deslocarem-se em segurança em meio urbano movimentado. (Isamar Cartagena, Katherine Fernandez)
 • A fim de encontrar novas soluções para ajudar os que não têm acesso regular a electricidade na Nigéria, quatro raparigas adolescentes inventaram um gerador alimentado por urina. (Nigéria)

“Há tantos jovens inventores em todo o mundo – mesmo nos sítios mais remotos – que estão desejosos de mudar o mundo para as crianças,” diz Bisman Deu, jovem de 16 anos de Chandigarh, Índia, cuja invenção de um material de construção feito a partir de resíduos de arroz consta no relatório da UNICEF.

“Cada país tem problemas diferentes e cada pessoa tem soluções diferentes,” disse Bisman Deu. “Precisamos tirar ensinamentos das experiências de outros, de nos juntarmos para formar uma comunidade global de inovação e continuar a encontrar ideias que podem fazer verdadeiramente a diferença.”

A UNICEF deu prioridade à inovação na sua rede de mais de 190 países, criando centros (incubadoras) de ideias em todo o mundo, nomeadamente no Afeganistão, no Chile, no Kosovo, no Uganda e na Zâmbia para fomentar novas maneiras de pensar, de trabalhar e de colaborar com parceiros e para fomentar o talento local.

Pode consultar o relatório aqui.

O sumário executivo está diponível em Português (BR).

Pode partilhar as suas ideias e invenções aqui.
 

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