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porUNICEF
fonteUNICEF
a 12 AGO 2014

Duas em cada cinco crianças do mundo viverão em África em 2050

Investir nas crianças africanas de hoje é o factor de esperança mais importante para tirar partido das vantagens das alterações demográficas

Segundo um relatório da UNICEF publicado hoje, a projecção de um aumento sem precedentes da população infantil em África oferece aos responsáveis pela elaboração de políticas uma oportunidade única para definir uma estratégia de investimento centrada na criança que permita ao continente, e ao mundo, colher os benefícios da transição demográfica em África.

Segundo o Geração 2030/Relatório sobre África, as elevadas taxas de fecundidade e o número crescente de mulheres em idade reprodutiva significam que ao longo dos próximos 35 anos, perto de 2 milhões de bebés vão nascer em África; a população do continente duplicará; e a população de menores de 18 anos aumentará dois terços, chegando a perto de mil milhões de crianças.

Uma das conclusões mais importantes do relatório é uma alteração muito significativa da população infantil em África. As projecções apontam para que, em 2050, cerca de 40 por cento de todos os nascimentos ocorrerão em África, e cerca de 40 por cento de todas as crianças irão viver neste continente, contra os 10 por cento de 1950.   

“Este relatório deve servir como catalisador para um debate internacional, regional e nacional sobre as crianças africanas,” afirmou Leila Gharagozloo-Pakkala, Directora regional da UNICEF para a África Oriental e Austral. “Investindo nas crianças de hoje – na sua saúde, educação e protecção – a África poderia tirar partido das vantagens económicas como as que ocorreram noutras regiões e países que passaram por alterações demográficas semelhantes.” 

Apesar da melhoria das taxas de sobrevivência infantil em toda a África, continuam a ocorrer no continente cerca de metade de todas as mortes infantis do mundo, uma percentagem que pode subir para próximo dos 70 por cento em 2050. O relatório refere ainda que três em cada 10 crianças africanas vivem em contextos frágeis e afectados por conflitos, e que cerca de 60 por cento dos africanos poderão estar a viver em centros urbanos em 2050. O relatório pede atenção especial para a Nigéria, onde se verifica o maior número de nascimentos do continente, e que em 2050 contabilizará quase 10 por cento dos nascimentos ocorridos ao nível mundial. 

“Programas e políticas para as crianças baseados na igualdade serão determinantes para que as crianças africanas possam transformar o continente e quebrar os ciclos viciosos da pobreza e da desigualdade,” disse Manuel Fontaine, Director regional da UNICEF para a África Ocidental e Central. 

“Porém, se o investimento nas crianças africanas não for considerado prioritário, o continente não conseguirá aproveitar plenamente esta transição demográfica nas próximas décadas. Sem políticas equitativas e que favoreçam a integração, o ritmo de crescimento pode anular as tentativas para erradicar a pobreza e até aumentar as disparidades,” concluiu.

Geração 2030/Relatório sobre África pede especificamente que se invista na expansão do acesso a serviços de saúde reprodutiva, e em medidas para reforçar a autonomia das raparigas e para as manter na escola. Os planos nacionais de desenvolvimento devem adaptar-se às alterações demográficas, nomeadamente através de sistemas de registo civil e de estatísticas vitais mais eficazes. “As alterações demográficas profundas, pelas quais a população de crianças africanas vai passar, estão entre os problemas mais importantes que o continente enfrenta, e são, sem dúvida, um assunto crucial para o mundo,” sublinha o relatório.

Leia o relatório aqui (em inglês)


Dados fundamentais - Geração 2030/Relatório sobre África

As projecções para a população mundial mostram que até metade do século, em África viverão: 

  • Cerca de 41 por cento de todas as crianças nascidas no mundo.
  • 40 por cento de todas as crianças menores de cinco anos.
  • 37 por cento de todas as crianças menores de 18 anos.
  • 35 por cento de todos os adolescentes.

O futuro da humanidade é cada vez mais africano:

  • Actualmente, 16 em cada 100 habitantes do mundo são africanos.
  • Com base nas actuais tendências, dentro de 35 anos, 25 em cada 100 pessoas serão africanas.
  • Este número continuará a crescer até perto de 40 em 100 pessoas até ao final do século.

África tem também o rácio de dependência infantil mais elevado do mundo:

  • 73 crianças com menos de 15 anos por cada 100 pessoas em idade laboral em 2015.
  • Esta percentagem é quase o dobro da média global.

A urbanização crescente fará com que a maioria dos africanos viva em cidades em menos de 25 anos:

  • Em 2015, 40% da população africana vive em cidades.
  • No final da década de 2030, mais da metade da população africana viverá em áreas urbanas.

Embora a sobrevivência infantil tenha melhorado em África:

  • Uma em cada onze crianças morre antes do seu quinto aniversário, uma taxa 14 vezes superior à média dos países de rendimento elevado.
  • O continente também representa actualmente mais de metade de todas as mortes infantis em todo o mundo.
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