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porUNICEF
fonteUNICEF
a 21 MAR 2016

As alterações climáticas e a falta de saneamento ameaçam a segurança da água para milhões de pessoas

Em vésperas do Dia Mundial da Água, a UNICEF afirmou que o esforço para fazer chegar água segura a milhões de pessoas no mundo vai ser um desafio ainda maior devido às alterações climáticas, que ameaçam quer o abastecimento de água, quer a segurança da mesma para milhões de crianças que vivem em zonas de grande propensão para secas ou inundações.

Em 2015 no final da era dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), 663 milhões de pessoas no mundo continuavam a não ter água potável de fontes melhoradas – que é suposto evitarem o contacto da água com dejectos humanos e outros poluentes. Contudo, segundo os dados de uma tecnologia de testes recente mostram, um total estimado de 1.8 mil milhões de pessoas podem estar a beber água contaminada pela bactéria e-coli – o que significa que existe matéria fecal na água que consomem, mesmo quando esta provém de fontes melhoradas.

“Agora que podemos analisar a água de uma forma menos dispendiosa e mais eficaz do que na altura em que foram definidos os ODM, estamos a perceber a verdadeira magnitude dos desafios que o mundo enfrenta no que diz respeito a água limpa,” afirmou Sanjay Wijeserkera, chefe dos programas globais de água, saneamento e higiene da UNICEF. “Com os novos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que reclamam água «segura» para todos, não estamos a começar no ponto em que os ODM terminaram; trata-se de um desafio totalmente novo.”

Uma das principais causas para a contaminação fecal da água é o saneamento precário. A nível global, 2.4 mil milhões de pessoas não têm sanitários adequados e quase mil milhões de pessoas praticam defecação ao ar livre, o que significa que em muitos países e comunidades as fezes podem infiltrar-se de tal modo que mesmo as fontes de água melhoradas podem ficar contaminadas.

As preocupações com a segurança estão a aumentar devido às alterações climáticas.

Quando há escassez de água durante períodos de seca, as populações recorrem à água de superfície que não é segura. Por outro lado, as cheias causam danos nas estações de água e de tratamento de esgotos, e as matérias fecais espalham-se, o que muitas vezes provoca um aumento de doenças transmitidas pela água, tais como a cólera e a diarreia.

As temperaturas mais elevadas causadas pelas alterações climáticas também podem estar associadas a um aumento da incidência doenças ligadas à água, como a malária e o dengue – e agora o Zika – uma vez que as populações de mosquitos estão a aumentar e a expandir o seu âmbito geográfico.

Segundo a UNICEF, os mais vulneráveis são as cerca de 160 milhões de crianças menores de cinco anos que vivem em zonas de elevado risco de seca. Cerca 500 milhões de pessoas, vivem em zonas de cheias, a maioria das quais na África subsariana e na Ásia.

Com início no Dia Mundial da Água, 22 de Março, a UNICEF vai lançar uma campanha global no Instagram, que decorrerá até à assinatura do Acordo de Paris a 22 de Abril, para sensibilizar a comunidade internacional para a ligação que existe entre a água, o ambiente e as alterações climáticas.

Usando a hashtag #ClimateChain, o Director Executivo da UNICEF Anthony Lake, o Presidente da Assembleia-Geral da ONU Mogens Lykketof, a Directora do UN Climate Christiana Figueres e outras figuras públicas vão juntar-se simbolicamente a membros do público em geral, de mãos dadas, numa “cadeia” de fotografias com o objectivo apelar à acção - no combate às alterações climáticas.


A UNICEF também está a responder aos desafios das alterações climáticas, dando especial atenção à redução do risco de catástrofes em matéria de abastecimento de água. Por exemplo:

  • Perto de 20.000 crianças no Bangladesh têm agora acesso a água de fontes pensadas para resistir a catástrofes e efeitos climáticos através de um sistema de recarga aquífera que capta a água durante a época da monção, a purifica e armazena no subsolo.
  • Em Madagáscar, a UNICEF está a ajudar as autoridades locais a tornar salas de aula para 80.000 crianças resistentes a ciclones e cheias, e a proporcionar acesso a fontes de água com características de resiliência a catástrofes.
  • Em Kiribati, onde a propensão para secas é grande, novas instalações de recolha e armazenamento de água da chuva estão a melhorar o acesso das comunidades a água segura para beber.

Numa publicação recente, Unless We Act Now (A menos que actuemos agora) a UNICEF delineou uma agenda para o clima de 10 pontos a pensar especificamente nas crianças. Esta agenda define medidas concretas que os governos, o sector privado e o público-geral podem tomar a fim de salvaguardar o futuro das crianças e os seus direitos.
 

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