|
porUnicef
fonteUnicef
a 15 DEZ 2015

500 crianças morrem por dia devido a falta de água e saneamento seguros na África Subsariana

Cerca de 180.000 crianças menores de cinco anos morrem por ano – aproximadamente 500 por dia – na África Subsariana devido às doenças diarreicas relacionadas com água, saneamento e higiene inadequados (WASH), afirmou a UNICEF em antecipação da conferência que se realiza hoje em Dakar acerca do financiamento para o sector.

“Com crianças a morrer todos os dias, com milhões de crianças com atraso de crescimento, com um impacte económico tão elevado, não pode continuar tudo na mesma,” afirmou O Director Regional da UNICEF para a África Ocidental e Central, Manuel Fontaine. “O ritmo dos progressos tem de acelerar exponencialmente – e vai exigir políticas fortes; financiamento robusto; e uma mudança significativa nas prioridades por parte daqueles que têm poder para agir.”

Actualmente, perto de metade da população global que não tem acesso a água melhorada para beber vive na África Subsariana e cerca de 700 milhões de pessoas na região carecem de acesso a saneamento melhorado. Com uma população que quase duplicou nos últimos 25 anos, o acesso ao saneamento só aumentou 6 pontos percentuais e o acesso à água só aumentou 20 pontos na região no mesmo período, deixando milhões de pessoas para trás.

A UNICEF afirmou que, sem uma acção veloz, a situação pode piorar drasticamente nos próximos 20 anos, dado que o rápido crescimento das populações ultrapassa os esforços dos governos para proporcionar serviços essenciais. Por exemplo, o número de pessoas na região que defecam ao ar livre é mais elevado agora do que era em 1990. Entretanto, foi identificada uma ligação entre a defecação ao ar livre e o aumento do atraso de crescimento nas crianças.

A conferência intitulada Innovative Financing for Water Sanitation & Hygiene acontece pela primeira vez na África Ocidental e central e é promovida pela UNICEF em cooperação com o Governo do Senegal e o Conselho de Ministros Africanos para a Água.

A UNICEF convidou 24 governos na sub-região para se reunirem com alguns dos principais bancos de investimento, organizações internacionais, empresas e peritos. O objectivo é o de encontrar novos mecanismos para angariar o montante estimado em 20 a 30 mil milhões de dólares de que o sector WASH irá precisar para tornar universal o acesso à água e ao saneamento na África Ocidental e Central.

Segundo estimativas da ONU as perdas económicas globais devido à água, ao saneamento e à higiene inadequados ascende a 260 mil milhões por ano. Sendo a sub-região com os piores níveis de acesso, a África Ocidental e Central carrega uma parte significativa desse fardo.

Nenhum país na África Ocidental e Central tem acesso a água melhorada para beber. Segundo o relatório conjunto da UNICEF/OMS Joint Monitoring Programme Report 2015, as taxas mais elevadas de cobertura encontram-se em São Tomé & Príncipe (97%), Gabão (93%) e Cabo Verde (92%). No outro extremo do espectro estão países onde aproximadamente metade da população não tem acesso, registando-se as taxas mais baixas na Guiné Equatorial (48%), Chade (51%) e na República Democrática do Congo (52%).

O acesso ao saneamento é ainda mais desafiante. Nos países com melhor cobertura, mesmo assim, uma em cada quatro pessoas continua a carecer de saneamento adequado. Guiné Equatorial (75%), Cabo Verde (72%), e Gâmbia (59%) ocupam os três lugares de topo em termos de acesso. A cobertura mais baixa regista-se no Níger (11%), Togo (12%), e Chade (12%). 

Contudo, a financiamento para o sector WASH é desequilibrado e insuficiente. Nenhum país africano alocou mais de 0.5 por cento do seu PIB à água, saneamento e higiene. Entretanto, dos 3.8 mil milhões de Ajuda ao Desenvolvimento Norte-Americana (Overseas Development Aid - ODA) alocada ao sector em 2012, aproximadamente três-quartos foram para a água e o restante para o saneamento.

A maior parte do financiamento da ODA vai para países que já estão com bons resultados, e embora o acesso a água e saneamento nas zonas rurais esteja muito aquém do que se encontra nos meios urbanos, tanto os fundos externos como os nacionais vão principalmente para os sistemas urbanos.

Os modelos financeiros para o sector de WASH em discussão na conferência incluem:

  • WASH Microfinance Facility – que proporciona pequenos empréstimos a fornecedores e consumidores para ajudar as pessoas nas aldeias a passarem a ter acesso a água e saneamento.
  • WASH Input Credit Fund – concebido para trabalhar com sectores financeiros nacionais em países em desenvolvimento para proporcionar capital de funcionamento a pequenas e médias empresas envolvidas no sector de WASH
  • WASH Financing Trust Fund – um mecanismo financiado por governos e fundações e administrado pela UNICEF e outra agência multilateral que permite um financiamento acrescido a Estados membros para programas de WASH.
  • WASH Emergency Revolving Fund – visa transpor o fosso temporal entre o compromisso de donativo por parte do financiador e o desembolso real do dinheiro
  • WASH Common Vision Fund – para ajudar empresas a fazer contribuições para WASH usando os seus próprios modelos de negócio e em linha com as práticas padrão nas suas indústrias.

“Embora saibamos o que precisa de ser feito, temos de descobrir uma maneira de fazê-lo mais depressa e melhor,” declarou Fontaine. “Existem muitas opções em cima da mesa; o que não é uma opção é continuar a permitir que as crianças paguem pela nossa falta de acção.”

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010